Via Ápia

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, disse ontem que o seu partido, o PR, não tem qualquer envolvimento no escândalo do Dnit do Rio Grande do Norte. Justificou: “Quem administra o Dnit não é o PR, e sim pessoas.” É verdade. Mas, também é verdade que as pessoas que estavam no comando do Dnit-RN foram indicadas e patrocinadas pelo PR, via deputado federal João Maia. Então, uma coisa está diretamente ligada à outra. As pessoas são do PR, como o PR é dessas pessoas. O próprio partido faz essa união. Por exemplo: na propaganda gratuita no rádio e na televisão, o PR sempre apresenta como carro-chefe as obras nas rodovias federais, atraindo para si a competência de promover melhorias na vida da população. Da mesma forma que o PR é responsável pela ação positiva, também deve assumir e responder pelos atos negativos na área que está sob o seu controle. No caso de desvio de recursos das obras da BR-101, descoberto pela operação “Via Ápia” da Polícia Federal, o partido teve envolvimento direto. Um dos membros da chamada “quadrilha do Dnit” é o engenheiro Gladson Maia, sobrinho do deputado João Maia. Ele foi preso em flagrante, quando espalmava propina no estacionamento de uma churrascaria de Natal. Na sequência da investigação, a Polícia Federal apreendeu um cheque no valor de R$ 700 mil pertencente a João Maia, com data de 19 de setembro de 2010, curiosamente a quatro dias das eleições gerais em que Maia tentava, com sucesso, renovar o mandato de deputado federal. Como a PF faz linha de investigação que sugere os desvios de dinheiro de obras das rodovias federais para fins eleitorais, reforça a ligação estreita da quadrilha do Dnit com o PR. Evidentemente, não se pode afirmar, com certeza, que as campanhas bem estruturadas de Maia são bancadas pelo dinheiro público. Porém, essa hipótese não é descartada. Cabe à “Via Ápia” concluir o processo natural e trazer as respostas a público.

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